Não sabemos a quantidade de fortalezas que possuímos em nossa alma até o dia que desejamos sair de alguma delas. Só descobri o quanto as dobradiças das portas das minhas fortalezas eram fortes quando resolvi arrombá-las. Ninguém conhece a si mesmo senão no dia que se rebela contra o seu próprio governo e resolve libertar-se.
Construímos reinos em nosso interior que também poderíamos chamar de padrões, com a ajuda dos que nos cercam e também com as nossas próprias mãos. Vamos erigindo torres fortes para nossa segurança e masmorras religiosas para nos penitenciarmos.
Como podemos ver esses reinos internos desfeitos e, de verdade, vermos o reino de Deus em nós? Num primeiro momento dependemos totalmente da livre graça de Deus em agir misericordiosamente em nosso favor. A manifestação dele não pode ser agendada nem determinada. Ela acontece por meio de um vento indomesticável da parte do Espírito Santo, que sopra gloriosamente em nós.
A conseqüência direta desse vento aparece na ação de lançar ao chão todas as sofisticadas construções de pedras pesadas e lavradas erigidas em nosso interior. Gerando assim apenas ruínas.
Num segundo momento somos convidados ou impelidos por esse mesmo Espírito a viver. Não há orientação de fazer algo pra Deus, mas de viver a partir daquilo que Ele já realizou. Enquanto no reino antigo eu tinha cômodos, nesse novo momento eu passo a ser um cômodo onde o Espírito Santo de Deus se acomoda.
Meu reino não dava conta da realidade crua da vida. Era uma tentativa infantil e ficcional de lidar com as demandas da existência. Eu servia de sustento pra mim mesmo. No meu reino eu decidia o que ia fazer com os meus dias e como usaria meus recursos. Meu supremo conselheiro sempre foi meu coração. Nesse reino o meu EU era rei soberano.
Hoje, ainda tenho as ruínas do velho reino em meu interior. Sou, não poucas vezes, tentado a reconstruir algumas coisas a partir desses escombros. Louvo a Deus por ter me deixado uma oração modelo, onde sempre sou lembrado que a um reino infinitamente melhor e que deve ser desejado a cada dia.
O novo reino subjugou a minha arrogante vontade a Deus. É por isso que eu oro: “Venha o teu reino e seja feita a sua vontade.” Não existe desejo pela vontade do Rei Jesus sem que o seu reino tenha sido inaugurado em nós. Ainda que a sua carne tenha falsas saudades de dias de prazer e glória, a presença maravilhosa de Deus em sua alma lhe trará lucidez e coragem para dizer: “todavia, seja feita a sua vontade.”
O cristianismo não sugestiona uma ideia legal a ser abraçada. A religião cristã revela uma pessoa que ama ferozmente e de forma explicita revela seu amor ao pendurar-se num madeiro. Não existe uma ideia a ser abraçada, mas um abraço a ser recebido pelo Pai paciente e amoroso do nosso Senhor e salvador Jesus Cristo.
Que o reino de Deus possa a cada dia desfazer ainda mais o nosso.

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