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terça-feira, 13 de maio de 2014

Ele me encontrou.




O   cristianismo não é uma busca, como uma porção de gente acredita e divulga, mas um encontro promovido pelo Deus eterno e misericordioso. Eu fui encontrado pelo amor de Deus em Cristo Jesus a vinte e um anos atrás. Eu estava passeando em seu mundo quando ele me encontrou e fez o Espírito Santo  abrir meus olhos para enxergar-me como realmente sou, um ser indiferente ao seu amor, e a perceber como ele me ama e demonstrou isso providenciando um salvador pra mim.
Jesus Cristo é esse salvador que veio me buscar. Ele é que veio encontrar-se comigo. Eu nunca me interessei por sua pessoa e obra. Eu não fui, pela minha família de sangue, instruído sobre o seu valor. Não me recordo de ouvir algo sobre sua obra redentora em minhas aulas de religião na escola. Sempre me impressionou o fato da minha ignorância acerca de quem ele era não o impedir de me encontrar.
Me sinto confortável com alguns temas da fé cristã. Talvez o que mais me fascine depois do amor de Deus seja a sua soberania. Gosto da ideia de ser filho de um Pai todo poderoso. Não sou aquele tipo de filho que deseja explicações acerca das decisões que ele resolve tomar. Sinto-me desconfortavelmente confortável em saber que nada, em absoluto, pode frustar os seus planos. Planos esses, que são sempre bons, agradáveis e perfeitos.
A alguns dias eu e um líder da igreja que pastoreio examinamos um candidato ao batismo. Quando arguido sobre o por que ele queria batizar-se e o que realmente o estava levando aquela decisão, ele respondeu: “A verdade abriu meus olhos.”
A Bíblia nos diz que o conhecimento da verdade nos liberta. Só a verdade de Deus pode penetrar no interior dessas algemas espirituais e arrancá-las de nossos pulsos e pés. Esse conhecimento que liberta não é produto de esmero intelectual, mas de uma mente iluminada pelo Espírito Santo que crê no sacrifício de Cristo em seu favor na cruz do calvário. 
O meu grande desafio como ser humano não é encontrar Deus, mas aceitar que ele me encontrou e desejar ardentemente viver me  aprofundando nessa relação inaugurada por ele.
Acordei para mais um dia. Não sei os detalhes que vão adornar mais esse momento de vinte e quatro horas em minha existência. O que sei, e o que devo permanecer sabendo, é que preciso encontrar-me com aquele que me ama com amor eterno. Eu preciso perceber que seu encontro revelou o desejo dele de encontrar-me como nenhum outro ser no universo deseja.
Eu amo ser amado ou eu amo ter sido encontrado. Te amo Jesus.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A Esquina.






Eu gosto das esquinas. Não por causa da sua estética, mas pela surpresa que pode revelar-me. Alguém pode ter vivido uma triste experiência em alguma esquina. Talvez você tenha sido violentada ou um filho seu foi atingido por um carro guiado por algum motorista bêbado. A esquina pra você não o remete a boas lembranças, mas apenas a tragédias.
A esquina pra mim é sinônimo de possibilidades. Não tenho medo das esquinas. Só tenho boas histórias quando penso nelas. Fico a imaginar, como uma criança, que algum mundo mais justo possa surgir quando eu dobrá-la. Penso na possibilidade de encontrar um novo amigo ou rever alguém que muito amo e por alguma razão sumiu da minha vida ou do meu facebook.
A esquina me ensina que a vida não é retilínea o tempo todo. As curvas fazem parte da existência de cada um de nós. Ninguém anda o tempo todo retinho, seja no casamento, criação de filhos, relacionamentos interpessoais, vida profissional ou religiosa.
Os professores deveriam levar os alunos para as esquinas e acomodá-los para uma aula sobre pontos de vista. O grupo que estivesse numa parte da esquina logo descobriria que precisa do outro grupo pra ter a visão do todo. Seria uma boa aula sobre a necessidade de lermos mais de uma obra sobre qualquer assunto. Os estudantes logo descobririam que o ponto de vista de um escritor também tem a ver com o ponto onde ele encontrava-se quando redigiu a sua obra.
As igrejas deveriam ser construídas nas esquinas. Os fiéis aprenderiam a conviver com as pessoas de mundos diferentes. E ela seria desafiada a ser a grande surpresa da vida e não um lugar óbvio e que não dá susto bom em ninguém. Eu realmente acredito sustos que podem ser bons.
A esquina é algo tão forte para alguns que um grupo de mineiros resolveu criar um clube.
Gosto das esquinas. Aprendo quando dobro uma que é possivel recomeçar, mas que todo recomeço precisa ser produto de uma curva aberta ou fechada.
Deus geralmente nos encontra nas esquinas da vida. Ele é aquele que nos surpreende. Ele é a pessoa que inaugura uma nova realidade em nossos olhos. Possibilitando assim, enxergarmos as mesmas coisas com um outro desejo.
Nunca mais olhe para as esquinas do mesmo jeito.  

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Venha o teu reino e desfaça o meu.




Não sabemos a quantidade de fortalezas que possuímos em nossa alma até o dia que desejamos sair de alguma delas. Só descobri o quanto as dobradiças das portas das minhas fortalezas eram fortes quando resolvi arrombá-las. Ninguém conhece a si mesmo senão no dia que se rebela contra o seu próprio governo e resolve libertar-se. 
Construímos reinos em nosso interior que também poderíamos chamar de padrões, com a ajuda dos que nos cercam e também com as nossas próprias mãos. Vamos erigindo torres fortes para nossa segurança e masmorras religiosas para nos penitenciarmos.
Como podemos ver esses reinos internos desfeitos e, de verdade, vermos o reino de Deus em nós? Num primeiro momento dependemos totalmente da livre graça de Deus em agir misericordiosamente  em nosso favor. A manifestação dele não pode ser agendada nem determinada. Ela acontece por meio de um vento indomesticável da parte do Espírito Santo, que sopra gloriosamente em nós.
A conseqüência direta desse vento aparece na ação de lançar ao chão todas as sofisticadas construções de pedras pesadas e lavradas erigidas em nosso interior. Gerando assim apenas ruínas.
Num segundo momento somos convidados ou impelidos por esse mesmo Espírito a viver. Não há orientação de fazer algo pra Deus, mas de viver a partir daquilo que Ele já realizou. Enquanto no reino antigo eu tinha cômodos, nesse novo momento eu passo a ser um cômodo onde o Espírito Santo de Deus se acomoda.
Meu reino não dava conta da realidade crua da vida. Era uma tentativa infantil e ficcional de lidar com as demandas da existência. Eu servia de sustento pra mim mesmo. No meu reino eu decidia o que ia fazer com os meus dias e como usaria meus recursos. Meu supremo conselheiro sempre foi meu coração. Nesse reino o meu EU era rei soberano.
Hoje, ainda tenho as ruínas do velho reino em meu interior. Sou, não poucas vezes, tentado a reconstruir algumas coisas a partir desses escombros. Louvo a Deus por ter me deixado uma oração modelo, onde sempre sou lembrado que a um reino infinitamente melhor e que deve ser desejado a cada dia.
O novo reino subjugou a minha arrogante vontade a Deus. É por isso que eu oro: “Venha o teu reino e seja feita a sua vontade.” Não existe desejo pela vontade do Rei Jesus sem que o seu reino tenha sido inaugurado em nós. Ainda que a sua carne tenha falsas saudades de dias de prazer e glória, a presença maravilhosa de Deus em sua alma lhe trará lucidez e coragem para dizer: “todavia, seja feita a sua vontade.”
O cristianismo não sugestiona uma ideia legal a ser abraçada. A religião cristã revela uma pessoa que ama ferozmente e de forma explicita revela seu amor ao pendurar-se num madeiro. Não existe uma ideia a ser abraçada, mas um abraço a ser recebido pelo Pai paciente e amoroso do nosso Senhor e salvador Jesus Cristo.
 Que o reino de Deus possa a cada dia desfazer ainda mais o nosso.