Translate

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Jonas, teólogo e idolatra.



Jonas conhecia a Deus. Ele é identificado como alguém que deve levar a Palavra do Senhor a outros. Ele era um profeta. Homens dessa envergadura eram porta vozes de Deus no Antigo Testamento. Eram eles que revelavam a vontade de Deus por meio de suas pregações. No caso de Jonas, o Senhor o designou para que fosse a cidade de Nínive e pregasse uma palavra de juízo aos seus habitantes.
Jonas interpretava a Deus e a sua vontade como um bom teólogo. Já ouvi dizer que nem todo teólogo é crente, mas que todo crente é teólogo. Se entendermos teologia como o estudo de Deus ou o que Ele se deu a conhecer na consciência, na criação e sobre si mesmo em sua Palavra, qualquer afirmação, negação ou dúvida relacionada a Ele é um pensar teológico. Creio que tal afirmação é plausível.  
A idolatria do teólogo Jonas pode ser encontrada em sua interpretação sobre a ação misericordiosa de Deus em salvar os Ninivitas. Lemos a seguinte declaração de Jonas no capítulo 4.2: Ele orou ao Senhor: “Senhor, não foi isso que eu disse quando ainda estava em casa? Foi por isso que me apressei em fugir para Társis. Eu sabia que tu és Deus misericordioso e compassivo, muito paciente, cheio de amor e que promete castigar, mas depois se arrepende. O ídolo do coração deste profeta é a vingança.
Jonas idolatra uma visão de misericórdia pessoal e nacionalista. Ele não é alguém que não sabe quem é Deus, nem o que ele pode realizar a partir de quem ele é. O problema deste homem de Deus é não aceitar que a misericórdia de Deus seja dispensada aos inimigos estrangeiros.
Jonas tornou-se escravo de um ídolo chamado vingança. Todos os seus movimentos de fuga devem ser interpretados a partir desse desejo último que governa o seu coração. A força deste desejo pode ser visto no ato insano dele de fugir da presença do Senhor de toda terra. Por não querer fazer a vontade de Deus, este profeta  também não quer a sua presença.
Identificar o ídolo que influencia os nossos movimentos é algo imprescindível. O ídolo de Jonas governa suas emoções e ações. Ele cria um mundo paralelo ao de Deus como se isso fosse possível. Ele crer ser legítimo tudo que ele sente e faz. Ele realmente é alguém que vive o processo de auto-engano.  
Nenhum cristão encontra-se livre de experimentar algum grau de idolatria. Mesmo sendo um servo de Deus, Jonas é alguém que viveu uma intensa experiência de idolatria. As experiências sobrenaturais, o ministério frutífero e a misericórdia não surtiram efeitos imediatos em sua vida.
Acredito que a história de Jonas é a história do homem que não levou a sério a força dos ídolos do coração. Não seja ingênuo quanto a força do pecado. Mesmo que ele não reine mais sobre a vida dos salvos, ele ainda age na tentativa de conduzir-nos a idolatria. Creia no Deus invisível criador dos céus e da terra. Deposite sua fé em seu Filho Jesus que morreu a nossa morte a fim de vivermos sua vida. Dependa do Espírito Santo para se mover nesse mundo sedutor.
O que tenho da história de Jonas só me permite dizer que o ídolo rouba-nos de desfrutar da maravilhosa graça de Deus. Quebre o seu ídolo hoje e deposite toda a sua confiança naquele que te ama com amor eterno. Amém.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A suficiência de Cristo.






Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo (Filipenses 3.7).

Ter Cristo é ter tudo. Paulo chegou a esta conclusão e viveu a vida com base nela. Nem sempre foi assim. O próprio Paulo reconhece que valorizava outras coisas e vivia a sua vida com outros valores. Contudo, após ter sido alvo da graça de Deus na estrada de Damasco tudo mudou. A luz do evangelho revelou a beleza e suficiência de Cristo. 

A sabedoria humana tende a conduzir-nos ao mesmo lugar que um guia cego conduz um outro cego, a lugar nenhum. Quando homens e mulheres desistem de lucrar com suas vida sem Cristo, é certo que a graça especial de Deus agiu em seus corações. Isto por que, ninguém considera desistir da sua maneira de enxergar a vida e viver sem que Deus o convença, por meio do seu Espírito Santo, que ele é pecador e que ele precisa se arrepender e mudar de direção. 

Ninguém é convocado para mudar de vida e depois crer no evangelho. Somos convocados a crer nele e experimentar a sua salvação. Assim como um leão não pode tornar-se vegetariano por causa da sua natureza, assim também o homem não pode desejar buscar e viver para Deus, por causa da sua natureza. 

Crer e viver, esta é a gloriosa promessa do evangelho. Desista de acreditar que você está no governo de sua vida. Creia e viva a vida que se encontra apenas na promessa de Deus que é Cristo. 

Viva para glória de Deus. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cristo não pode ser visto como trampolim.






Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (Romanos 3.26). 

Agora que eu creio em Jesus, o que devo esperar dele para minha vida? Cada vez mais indagações como essa são ouvidas por pessoas que acabaram de confessar, pelo menos verbalmente, sua fé em Jesus. Não que o evangelho não possua promessas para o lado de cá do céu, contudo, a mensagem cristã tem se tornado nas últimas décadas um discurso voltado apenas para o bem estar aqui e agora. 

O desejo de adequar-se a cultura do "eu tenho o direito a ser feliz já" tem levado muitas igrejas a adulterar a mensagem do evangelho bíblico. Qual a consequência direta deste evangelho adulterado para esta geração e qual será para a próxima? Creio que as palavras do bispo metodista William Willimon conseguem responder a essa pergunta de forma clara e direta. 

"Nada é dito que não possa ser ouvido em outro lugar. (...) Em contextos conservadores o discurso do evangelho é negociado para a afirmação dogmática e moralismo, psicologias de autoajuda e mantras-soníferos. No discurso mail liberal, a conversa anda, na ponta dos pés, em torno do escândalo do discurso cristão e acaba como uma inócua, porém cortês, afirmação da ordem dominante. Incapazes de pregar a Cristo e este crucificado, nós pregamos a humanidade e esta melhorada".   

O evangelho que precisamos pregar é o que se encontra revelado nas páginas das Escrituras Sagradas. Ele, e somente ele, é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). A pessoa que crê neste evangelho é perdoada e passa a ter o desejo de viver sua vida em santidade. O seu comportamento passa a refletir as crenças do seu novo coração e seu louvor sempre leva em consideração o sacrifício substitutivo de Cristo na cruz por ele.  

Cristo não pode ser visto como meio para realizarmos nossos desejos mais carnais e mundanos, ele precisa ser visto como inicio, meio e fim. A sua mensagem não apenas nos salvou do pecado, do mundo e do diabo, ela também é o meio para crescermos na graça e no conhecimento do Deus que nos ama com amor eterno. 

O que advém disso é uma vida piedosa que terá efeito sobre todas as dimensões de nossa existência. Refletiremos a graça de Deus revelada em Cristo que é justo e justificador. Que possamos usufruir dos gloriosos efeitos da obre de redenção em nós.   

domingo, 27 de abril de 2014

Lei e Evangelho.


O reformador Martinho Lutero disse que se você consegue distinguir entre Lei e evangelho você é um teólogo. Compreender esta diferença é essencial para sua leitura bíblica. Sem uma clara distinção entre eles você não consegue ler o sermão do monte. O que Deus requer de nós ali pode ser comprido ou não? O que é requerido nos mandamentos ali gera esperança ou desespero? Não cumprir as exigências de Cristo neste sermão significa que rejeitamos o evangelho? 

Como distinguir entre lei e evangelho? Creio que a história do jovem rico que se encontra no evangelho de Lucas 18.18 ilustra muito bem a distinção entre o que é um e outro. O jovem procura Jesus com o objetivo de receber dele instruções sobre o que "fazer" para herdar a vida eterna. Ele queria ser salvo pelas suas obras ou por seu próprio desempenho. Sendo este o seu desejo, Jesus começa a pregar a lei para ele. A medida que ouvia as exigências da Lei ou o que deveria fazer, o desespero lhe invadiu a alma e ficou entristecido, deixando a presença de Cristo.  

Se você observou bem Jesus em nenhum momento prega o evangelho para este jovem. Como podemos chegar a esta conclusão? Ele não se apresenta como o cumprimento da promessa de salvação enviada por Deus. Ele diz apenas o que o jovem deveria fazer e não o que ele veio fazer. 

A distinção mais básica entre lei e evangelho é que enquanto a lei exige o evangelho dá. A mensagem de Cristo para este jovem é só exigência. jesus está pregando a lei ou a vontade de Deus. A Bíblia é enfática em dizer-nos que ninguém é salvo pelo cumprimento da vontade de Deus, mas exclusivamente pela graça ou favor de Deus. "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.8-9).  

Jesus não mandou o jovem rico embora. O objetivo da pregação da lei não é o de expulsar o pecador, mas de deixar claro que ele é um pecador e que carece da graça de Deus. Quem não se enxerga como perdido não precisa de um salvador. 

"Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê..." (Romanos 1.16) Não saia antes de ouvir toda mensagem de Deus para sua vida. Ele não quer que você faça algo para ser salvo, ele quer que você creia no que ele fez para te salvar. 

sábado, 26 de abril de 2014

Deus é Suficiente.




“A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes” (Salmos 19.7).

Os livros de auto ajuda estão entre os mais vendidos. Eles prometem sucesso para as pessoas determinadas e focadas. Trabalham com pressupostos teóricos centrados no homem e acreditam piamente que o futuro da humanidade depende exclusivamente da determinação humana. 

Tenho encontrado e conversado com um considerável número de cristãos que abraçam teorias contrárias a sua fé e sequer percebem isto. O que está acontecendo? Por que cristãos ficam fascinados com a sabedoria deste mundo? Eu não tenho dúvida que os principais responsáveis por isto são os pastores. Eles não têm feito o seu trabalho básico de pregar e ensinar a Bíblia como Palavra suficiente de Deus para todas as demandas da alma humana. 

Pastores têm orientado as suas ovelhas a buscarem soluções para seus problemas com pessoas que não baseiam suas análises na Escritura. Como você espera ouvir dessas pessoas algo relacionado a perdão, a pecado, à santidade, à conversão..., possuindo eles outra visão de mundo? Como?

Alguém vai se apressar em dizer que estas coisas citadas dizem respeito à religião, e essas teorias e seus divulgadores falam à mente. A Bíblia, em nenhum momento, me permite dividir o homem, assim como também não me autoriza a falar de vida religiosa e de vida secular. 

O texto de Salmos chama a nossa atenção para onde eu e você devemos depositar toda nossa confiança. Devemos depositá-la na Lei perfeita do Senhor, certos de que ela vai revigorar a nossa alma. Percebam que não estamos tendo esperança na voz de homens, mas na de Deus.

Que o Senhor levante expositores bíblicos que peguem o evangelho e seu poder de salvar o homem do pecado, do diabo e do mundo. Só Deus por meio de sua Palavra pode nos ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça. Deus nos livre de mandar uma ovelha beber em fontes que não são capazes de saciar a infinita sede de seu ser.